A armadilha do armazenamento gratuito

O maior risco da “Corrida ao Zero” é a sustentabilidade deste modelo de negócio. Nada é de graça; mesmo quando não é possível mensurar em dinheiro, deve haver alguma compensação

Algumas pessoas acreditam que, um dia, todo armazenamento será gratuito. Muitas companhias que lideram o segmento de Internet já estão oferecendo serviços de armazenamento em nuvem para fotos e documentos, sem custo, ou por um valor muito baixo. Acredita-se que, no futuro, estes custos serão nulos para o usuário, enquanto os provedores competem pela preferência do cliente na chamada “Corrida ao Zero” (Race to Zero). Aqui vale a reflexão se realmente podemos chegar a um modelo totalmente gratuito. O serviço de armazenamento pode ser gratuito para o cliente, mas a estrutura de armazenamento e os serviços de dados continuarão trazendo custos para o provedor. A construção de centros de dados em grande escala custa milhões de dólares, e os provedores de nuvens terão de encontrar outros serviços para custear sua operação ou, alternativamente, gerar lucro através dos dados que estão armazenados “gratuitamente”. Consideremos que quando um usuário tira uma foto com seu telefone celular e a envia para um serviço de nuvem pública, existe a informação sobre onde e quando a foto foi tirada. Além disso, pode-se analisar as imagens das fotos, que podem revelar informações importantes sobre as preferências dos usuários. Desta maneira, o armazenamento gratuito é oferecido em troca de certo tipo de controle sobre informações pessoais, algo que pode compensar os custos para os provedores de nuvem. A ideia aqui é o armazenamento gratuito viabilizado pela publicidade dirigida, o que pode ser uma forma economicamente sustentável para armazenar fotos pessoais. Por exemplo, é possível notificar o usuário quando seu estilo favorito de sapatos estiver à venda em uma loja física próxima ou em um site. Entretanto, esta dinâmica certamente não é aceitável para usuário de armazenamento empresarial. Greg Knierierman, que trabalha para a HDS e tem um podcast de sucesso (“SpeakingTech”) no The Register, vem escrevendo em seu blog sobre a necessidade das empresas controlarem seus dados. Ele cita uma pesquisa recente da revista The Economist na qual 87% dos entrevistados afirmaram que a diretoria de suas empresas está muito preocupada com a segurança e privacidade dos dados corporativos. Seguramente os usuários corporativos não utilizarão armazenamento gratuito, a não ser que o provedor possa garantir a segurança e privacidade dos dados. Devemos considerar que a oferta de armazenamento gratuito é uma forma de fidelizar os clientes, já que é difícil mover uma grande quantidade de dados de uma nuvem para outra. Isso se torna ainda mais complicado se o provedor da nuvem utiliza um aplicativo próprio. Não é absurdo pensar que os provedores de nuvem pública podem sair do “zero” e oferecer descontos ou outros incentivos para atrair usuários e, a partir daí, oferecer serviços pagos. Uma maneira de evitar a armadilha do armazenamento gratuito é a utilização de uma plataforma de conteúdo que proporcione controles para armazenar, acessar e proteger os dados, independente do serviço de nuvem. A Hitachi Content Platform, por exemplo, permite a gestão de todos os dados de conteúdo desde o firewall, armazenamento de dados em qualquer lugar – inclusive na nuvem pública – e acesso autenticado e autorizado à esta nuvem. O cliente controla a segurança dos dados onde quer que esteja, e pode utilizar criptografia sem medo de perder dados. Armazenamento gratuito em nuvem é apenas uma ferramenta que indivíduos e empresas podem utilizar para gerenciar suas necessidades de armazenamento, sempre que entendem as necessidades de seus dados. Nada é de graça; mesmo quando não é possível mensurar em dinheiro, deve haver alguma compensação. Pode ser o caso de que o cliente deverá renunciar a algum tipo de controle. Nesta semana estou na Índia, mas posso me comunicar com minha família e falar com meus netos, de graça, pelo Face Time. O serviço pode ser gratuito, mas toda minha família precisa ter dispositivos Apple – este é o retorno para a empresa. Posso compartilhar documentos e trabalhar com meus colegas da Hitachi de todo o mundo usando a rede WiFi do hotel e HCP Anywhere da Hitachi sabendo que, desta maneira, os documentos estão seguros. Por fim, considero que o maior risco da “Corrida ao Zero” é a sustentabilidade deste modelo de negócio. Precisamos de inovação constante para nos mantermos à frente do jogo. Enquanto empresas do ocidente se concentram em provedores de nuvem pública como Amazon e Google, existem empresas de outras regiões como AliBaba Group, da China, que poderiam ser muito mais agressivas e inovadoras nesta área.  

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